Trabalhar na estrada carece de muito cuidado, afinal, qualquer movimento errado pode causar sérios problemas. Trata-se de um cenário dominado por homens, no entanto, há mulheres que enfrentam os riscos para fazer com boa vontade e total disposição. Arlete Terezinha Flor Arioso soma 31 dos 53 anos de idade na boleia de um caminhão. “Fui a primeira filha a dirigir trator. E a partir disso passei a tomar gosto por dirigir. Quando cheguei aos 22 anos fui registrada como caminhoneira e dali em diante passei a gostar cada vez mais desta área. Tenho muito orgulhoso em dizer que sou caminhoneira”, conta.

“Através dessa minha profissão, pude viajar pelo Brasil e até pelo exterior. Conheci muitos lugares, entre eles Argentina, Uruguai e até o Chile”, enumera. Também do bairro Vila Nova, Sabrina Morais trabalha como motorista em uma empresa de coleta de resíduos. Mas também já atuou como instrutora em autoescola e fez entregas de mercadorias. Ficava até 70 dias fora de casa. “O caminhão é tudo para mim. Não penso em nenhum momento em largar. Meu marido sequer gostava de caminhão, mas hoje ele gosta e também trabalha com isso. Então é algo que faz a diferença na vida da gente. Gosto muito de trabalhar nesta área”, garante.

Sabrina explica que o gosto vem de família. O pai também era motorista de caminhão. “Já desde cedo senti esse gosto pela direção. Aos 18 anos tirei a carteira (de habilitação) e logo depois já comecei a ser instrutora. Assim que possível ampliei a minha carteira para dirigir caminhão e logo depois peguei de dirigir caminhão. Depois disso, não parei mais. Apenas optei por fazer um trabalho que não ficasse tanto tempo longe de casa”, relata aos 27 anos.


A luta contra o preconceito

As mulheres ainda enfrentam certa carga de preconceito como motoristas. Mas, aos poucos, elas vêm conquistando espaço. “Nesta empresa que estou atualmente, fui a primeira mulher a trabalhar como motorista. Nunca tinha acontecido, até que deram a oportunidade para mim. E alguns meses depois, abriram oportunidade para outra mulher também”, estima Sabrina. “No começo já ocorreu de em alguns lugares não permitirem a entrada de mulher, mas está sendo superado. Há lugares em que as mulheres têm preferência, por serem mais atenciosas e cuidadosas com a carga e com o próprio caminhão”, expõe Arlete.

 

FONTE: JORNAL GAZETA